sábado, 18 de julho de 2015

PERU (05/07/2015 – 15/07/2015)

Leia ouvindo Free- Rudimental ft. Emeli Sandé



Nada acontece por acaso, já dizia alguém...

2015. Ano de perdas, sofrimento, dor e superação. Você pensa que está na merda, no fundo do poço... Que somente coisas ruins acontecem com você, uma atrás da outra... É ai o momento que surge uma força superior que coloca pessoas em seu caminho para mostrar que a vida vale muito à pena.

***

04 de julho, Laís me ‘desova’ no aeroporto de Curitiba. A partir daí, uma longa noite fria em Guarulhos me aguardava. 05 de julho, ‘Bienvenidos al Perú’! Pego um táxi para a casa de Cesar, um amigo peruano que reside em Lima. Laise chegaria no dia seguinte... 06 de julho, o interfone toca. Cesar e eu nos olhamos, vou atender e é Laise chegando para participar da aventura. Ela me entrega de presente um diário de bordo para que eu fizesse anotações sobre a viagem.Escrevi três páginas hahaha :/

Nosso primeiro desafio: o café! Fomos ao mercado municipal e nada. Andamos, andamos, andamos... Encontramos pelo menos o pó em outro mercadinho. Ao lado do mercado existia uma floricultura. Tinha uma flor caída ao chão. Laise carrega a flor com cuidado... Chegando ao apartamento, improvisamos um coador para o café. Gambiarra mesmo! Daquelas dignas de fotos. Pegamos um espremedor de laranja com filtros de papel e nosso café estava pronto! :D

Na hora do almoço, fomos atrás de um restaurante vegetariano (sem sucesso!). Foi aí que conhecemos o Peter, um canadense que morou no Brasil, casado com uma peruana. Peter é dono de um restaurante que fica na esquina do apartamento do Cesar. Ele faz um prato vegetariano. Almoçamos ao som de Andrea Bocelli.

À tarde, corremos para pegar um ônibus verde, quando Laise quase é atropelada. Subimos as escadas, o cobrador pergunta nosso destino - Miraflores. Querendo ser mais específica quanto ao local de parada, todos caem na gargalhada e nossa cara de quem não estava entendendo fazia com que ríssemos junto. O ônibus tinha um teto baixo de lona e com o fato do 1,80 cm de altura, era impossível ficar em pé. Não sei se riam do nosso espanhol enferrujado ou do fato da minha cabeça ficar roçando naquela lona maldita!

Descemos no ponto indicado por Cesar, uma mulher muito simpática nos mostra a direção. Chegamos ao Parque do Amor. Frases românticas são escritas em caquinhos de azulejo tendo o oceano Pacífico como plano de fundo. 
Olho a imensidão do mar até onde os meus olhos alcançavam. 
Agradeço por estar ali. 
Agradeço pela Laise.

Deste ponto, vamos caminhando até o Shopping Larcomar onde pegamos outro ônibus com destino ao bairro Barrancos. Neste bairro existe uma ponte que, ao passar embaixo dela, nos leva às margens do Pacífico. É um local que possui muitos restaurantes, hostels... Passeando pelas redondezas, encontramos o Museu do Chocolate. Astrid é nossa guia, ela nos demonstra o processo do cacau, além de degustação. Nesta noite, ficamos conversando sobre a vida e sobre as histórias que fizeram com que estivéssemos exatamente ali. 

Quando voltamos ao apartamento de Cesar, pegamos um ônibus roxo até a Avenida Brasil para tomarmos um táxi amarelo caindo aos pedaços. O taxista estava abastecendo. Queríamos entrar no carro e ele pede para que aguardássemos (durante o abastecimento, é proibida a permanência no interior do carro). Terminado, entramos no carro junto com o taxista e sua mulher. Eles gargalhavam e gritavam YUNGAY! Mais uma vez, não entendíamos nada. Sem dúvida, este foi o táxi mais louco que peguei na vida (ele ganha dos tuc tuc de Maputo). Quando Cesar visualiza a foto do táxi no insta, disse para nunca mais pegarmos um táxi como aquele ‘- Você senta no banco e as portas caem. É muito perigoso!’.

07 de julho, o dia que senti o Pacífico aos meus pés. Amanhece. Vamos caminhando seis quadras até a Avenida Brasil somente para não pegar o maldito ônibus verde. Paramos em Barrancos e passamos embaixo da ponte que nos leva às margens do Pacífico. Andamos até um ponto que podíamos tirar o tênis e caminhar pela areia. Foi então que senti a onda batendo nas minhas pernas. Sentimento de gratidão! Mais uma meta conquistada antes de morrer: conhecer (sentir) o Oceano Atlântico, Índico e Pacífico. Sinto-me a pessoa mais realizada do mundo. Ficamos um tempo olhando o mar, caminhando pela areia e pela água. Molho minha pulseira, carregando suas energias... Ao voltar, me assusto com o grito de Laise ao ler a placa: ‘Zona de amenaza TSUNAMI’! Sim, o país está sujeito a abalos sísmicos.

Ainda neste dia, conhecemos o Centro Histórico de Lima o qual lembra muito o calçadão de Curitiba. Na Praça de Armas de Lima, um menino fica perplexo com o pau de selfie. Tiramos uma foto com ele que, inclusive, ficou horrível. Conseguir um táxi para voltarmos ao apartamento foi um parto. Nenhum taxista estava disposto a nos levar... Após várias tentativas, conseguimos que o Fernando, o taxista gente boa, fizesse este favor (sim, porque mesmo você pagando, alguns taxistas não querem te levar). Conversamos muito durante a viagem... deu tempo até de ganhar um elogio por meu espanhol. Obrigada ao SBT e a Televisa! Clap Clap Clap! :D

08 de julho, Lima x Cusco. Acordamos cedo e vamos para o aeroporto de Lima com destino à Cusco. Chegamos no laço para embarcar! O voo foi tranquilo até a hora da descida. O avião faz a volta muito inclinada (fora de brinks, tipo 90°!) o que me dá muito medo. Olho pra Laise (que estava na poltrona próxima, na mesma fileira) e ela nem aí, aproveitando a vista. E eu 'sofreno'...

Finalmente em terra, pegamos um táxi que nos leva à Praça de Armas de Cusco. Logo que chegamos, somos abordadas por Ivan, um dono de uma agencia. Enquanto conversávamos com Ivan, sentíamos os problemas da altitude. Corpo mole, dor de cabeça... Ivan conta que muitas pessoas já desmaiaram enquanto conversavam com ele. Laise trouxe do Brasil um pacote de amendoim. Bendito amendoim!!! Dilma saúda a mandioca. Eu saúdo a mandioca e o amendoim.  Ele durou até o último dia da viagem! (Dica para próxima viagem da Addie: levar amendoim – e café!).

Saímos da agencia e fomos pegar uma van que nos levaria à Ollantaytambo. Na van, comemos a melhor salada de fruta de todos os tempos (tinha mel. M-E-L!). A viagem até Ollantaytambo possui duração de 01h30min com belíssimas paisagens. Chegando a Ollantaytambo, paramos para almoçar e conhecemos uma guia que possuía o nome de uma flor (Caru? Cantu? Canu? Algo assim... hahaha). A Flor nos dá dicas sobre Machu Picchu. Saímos do restaurante e vamos pegar o trem PeruRail. Que trem! Vale muito à pena. Uma paisagem mais linda que a outra.Gratidão mais uma vez. Minha primeira viagem de trem foi o passeio para Morretes (PR) com minha avó. Lembro disso olhando pela janela, nostalgia batia e um cisco no olho incomodava... 

Chegamos a Àguas Calientes. Ivan tinha reservado um hostel para nós. No desembarque, uma mulher segura uma placa escrito ‘AdelainA Ellis’. Essa mesmo, pensei! Cada uma carregando uma mochila cargueira de quase 10 kg, fomos caminhando até o hostel. Nos instalamos e descansamos por um tempo. À noite, fomos comprar nossas passagens de ônibus que nos levaria à Machu Picchu na manhã seguinte. No quarto, tenho uma das conversas mais profundas com a Laise, conto sobre o acontecimento no trem e algumas coisas sobre a vida, sobre 2015. Choro e agradeço por ela estar ali.

09 de julho, o grande dia chegou! Acordamos de madrugada e vamos para a fila (que já estava enorme) para subir até Machu Picchu. O tempo passava e a nossa vez de embarcar no ônibus estava próxima. Finalmente, nossa vez! Uhuuuu! É ai que uma voz se dirige a nós: ‘-Desculpe, senhora. Aguardar o próximo ônibus, por favor’.  WTF??? O ônibus estava lotado. 
Esperamos o outro. 
Subimos.

Na medida em que subíamos, o coração da Laise disparava. A coisinha estava nervosa mesmo. ‘-Addie, você não está nervosa?’. ‘- Oi!?’. Ela esperava este momento por tanto tempo. Conta que assistia um desenho quando criança que passava pela manhã o qual não faço a menor ideia do que ela está falando. Do ônibus avistamos as primeiras ruínas... ‘- Ai meu deusooo!’. Estávamos em Machu Picchu!!!

Laise faz um vídeo narrando tudo. Termina um deles com a frase: ‘- Bem, Brasil. Logo voltarei com mais informações!’. HAHAHAA (#MORRI). Outro vídeo: ‘- Aquilo é uma lhama??? L-H-A-M-A!!!’. 
Simmmm, meus amigos! Era uma lhama! 
Várias lhamas!
Lhama branca.
Lhama marrom.
Lhama baby.
Lhama de chapéu... (mentira. Lhama de chapéu não tinha – para a infelicidade da Lais, aquela que me desovou no aeroporto).

Depois de fotos com as lhamas, fomos caminhando entre as ruínas seguindo as placas ‘Waynapicchu’.
Surreal.
Inacreditável. 
Fantástico. 
Não há como descrever o tamanho da energia que aquele lugar possui. É algo inexplicável. 

Conhecemos uma família brasileira que viajava de carro. Estávamos nos dirigindo ao guichê para começar a trilha para subir a Montanha WaynaPicchu (altitude: 2693m). No guichê você tem que assinar o horário de chegada e saída. Essa assinatura vale também para confirmar que você se responsabiliza por possíveis problemas como: despencar lá de cima! Coisa simples... não há com o que se preocupar...(O Cesar comentou que muitas pessoas já caíram. WaynaPicchu é uma montanha perigosa e precisa de preparo!).

Começamos a trilha!!! Andamos, andamos, andamos. Mascamos umas folhas de coca. Água... Perdemos de vista a família brasileira. Degrau por degrau fomos subindo. A vontade de desistir e parar no meio do caminho chegava como um convite irrecusável. Pelo meio do caminho conhecemos um casal – Paloma e Kalebe. Eles contam que tinha um casal que estava completando 50 anos de casados que estavam subindo. Pensamos que se este casal nos ultrapassasse, tínhamos que entregar os bets. O casal acabou desistindo antes de nós (até onde eu saiba hahaha).

Depois de uma subida de 01h30min, chegamos ao topo! Que vista! Uma visão privilegiada de toda a cidade Inca. Neste momento, coloco meu fone de ouvido, sento na beira da estrutura e toca a música ‘Free’ (Rudimental). “Sing, whoa, c'est la vie. Maybe something's wrong with me, But whoa, at least, I’m free, ohh, I’m free”. A sensação de liberdade (a mesma que senti em 2012 quando conheci o Oceano Índico) vinha me visitar.
Mais uma vez, gratidão!
Sinto uma vontade enorme de gritar. ‘ – Paloma, vou gritar!’.
'- Grite que eu grito junto!’. 
Putaquepariu, neste instante fui a pessoa mais feliz do mundo!
Leve, livre, suave.

Encontramos mais brasileiros. Uma delas com a camiseta ‘Força, Fernando!’. Fernando é amigo da família e estava internado devido a um linfoma. Na placa ‘WaynaPicchu’ (altitude: 2693m) todos os brasileiros gravam um vídeo gritando ‘Força, Fernando!’. Boas energias emanadas a Fernando.

Hora da descida - mais perigosa que a subida. Degraus irregulares... Alguns nem cabiam um pé. Não sei em quanto tempo fiz, sei que fiquei para trás. Meu joelho doía a cada movimento...
Cheguei ao ponto inicial!
Missão cumprida!
Andamos por mais algumas horas pela cidade. Carimbei meu passaporte na saída e voltamos para Águas Calientes. Lá, pegamos as mochilas e fomos esperar o trem com retorno à Ollantaytambo. Uma mulher nos esperava com a placa ‘AdelainA EllYs’ (Porran, nunca vão acertar meu nome?) para voltarmos à Cusco. Em Cusco, fomos para o hostel. Adivinhem? A água do chuveiro não esquentava (parabéns!). Comemos uma pizza e capotamos.

10 de julho, Vale Sagrado. Na noite anterior, quando voltamos de Machu Picchu, passamos na agencia do Ivan e compramos um bilhete para o Vale Sagrado. Este bilhete conta com 4 paradas (Pisaq, Chinchero, Urubamba e Ollantaytambo) que duram o dia inteiro. O passeio é muito lindo, principalmente Pisaq e Ollantaytambo, embora as visitas sejam rápidas. Em Pisaq devido à altitude, não explorei muito as ruínas. Laise foi andar sozinha e voltou contando de um flautista. Eu fiquei conversando com dois brasileiros, pai e filha. Achei o máximo eles estarem viajando juntos. Lá pelas tantas, o pai olha para mim e fala: ‘- Já te falaram que você é parecida com a Monica Iozzi?’. '- Hahahaha, sim!'.

Depois da última parada, o ônibus recolhe no meio da estrada dois músicos. Quando eles tocam Chiquitita (ABBA) na flauta vou ao delírio! Ouvindo minha banda preferida, olhando a Cordilheira dos Andes... Meu Deus, só agradecer!

11 de julho, Cusco x Puno – Rota do Sol. Ivan vai nos buscar no hostel às 06h00min para pegarmos o ônibus turístico que nos levaria a Puno. Este boleto turístico conta com cinco paradas (Andahuaylillas, Sicuani, Raqchi, La Raya e Pukará) e, particularmente, achei melhor e mais completo que o Vale Sagrado. O momento mais esperado era a parada La Raya – ver os Andes bem de pertinho. Dei quatro pulos para tirar uma foto e já disparou meu coração. A altitude é a pior de todas da viagem: mais de 4 mil metros.  Um guia faz total diferença. Este passeio possui em média a duração de 10 horas, mas, devido as paisagens e paradas, nem percebemos o tempo passar. Assim, chegamos à Puno. Pegamos um táxi e fomos para o hotel. O melhor hotel da viagem!!! Tínhamos aquecedor num frio de -8°. (Quero agradecer publicamente à minha mãe que me OBRIGOU a trazer um casaco. Obrigada mãe, você estava certa!).

12 de julho, Lago Titicaca. O taxista vai nos buscar em frente ao hotel. Ele nos leva até a rodoviária onde deixamos as mochilas cargueiras para fazer o passeio pelo Lago Titicaca. A distância entre a rodoviária e o porto fizemos de bicicleta. Pegamos uma carona (1$) com um ciclista. Foi divertido e sofrido - para ele. 

No barco, conhecemos mais um brasileiro e uma argentina – Henrique e Katherina. Estávamos indo para a Isla de los Uros, uma das ilhas flutuantes do Titicaca. Os nativos fazem uma apresentação, nos convidam a visitar suas casas e a comprar seus artesanatos. Não tínhamos dinheiro e a frase do Henrique caía muito bem: ‘Somos sul-americanos pobres!’. Pagamos oito soles para passear em um barquinho típico que nos leva à outras ilhas de Uros. Pagamos porque talvez ficássemos na ilha até os últimos dias de nossas vidas. Em uma delas, subo em um mirante e converso com o seu Hugo, um boliviano que mora no Brasil (em todas as viagens peço um conselho para uma determinada pessoa). Nesta viagem, escolhi-o. Entretanto, não seguirei tal conselho... Basicamente ele disse: ‘Se fosse para eu dar um conselho para você, seria: encontre um bom homem, seja uma boa esposa, boa dona de casa... Hoje o mundo está muito liberal e está se perdendo...’. ‘- Não, obrigada!’. (hahahaha claro que não falei isso). Agradeci o conselho e ele desceu do mirante. Na volta, fui conversando com o Henrique. Entre conversas sobre séries, livros, filmes, feminismo... ele diz: ‘- Já te falaram que você é parecida com a Monica Iozzi?’. '-Sim!'.

Voltamos do passeio e fomos os quatro almoçar. Pagamos cinco soles cada. O almoço é super barato no Peru. Come-se muito com pouco. Depois, eu e Laise seguimos para a rodoviária para pegarmos o ônibus que nos levaria à Lima. Henrique e Katherina foram se despedir. Havia uma mulher no guichê de outra empresa que gritava ‘-Arequipa! Arequipa! Arequipa! Arequipa!’, sem respirar. A viagem durou 24 longas horas!!! Assistimos sete (S-E-T-E) filmes!

13 de julho, Lima. Chegando em Lima, fomos almoçar no Peter para a despedida da Laise. Pedimos a lasanha. Tocava novamente Andrea Bocelli. Comemos sentindo cada garfada. Laise se despediu dos funcionários e voltamos para o apartamento do Cesar. Fomos para Miraflores tomar café. Comemos um doce típico que não recordo o nome. De lá, partimos para o Centro Histórico. Perambulamos por lá e paramos em um restaurante jantar. Pollo! (Frango!). Ganhamos uma dose de Pisco Sour. Brindamos à vida, à viagem, à nós!  (Percebo que neste dia comemos como se não houvesse amanhã!!!! hahahahahaha).

14 de julho, despedida. Laise me acorda porque não sabe fazer o café (hahahaha).
Como sempre, eu preparava o café, ela o pão.
Tomamos nosso último café juntas.
Silêncio.
É chegada a hora da partida. Vou com ela até o ponto de táxi. Vejo-a indo e lembro-me da despedida dos amigos portugueses – Joana e Tiago – quando foram embora de Moçambique.

Odeio despedidas.
Voltei para o apartamento.
Dormi.
Depois fui para Miraflores, mas o bairro não tinha tanta graça como antes. Fui a Praça do Amor, primeiro ponto turístico que conhecemos. Uma frase chama a atenção: ‘Tu de este lado y yo del otro como dos remos’. Fui almoçar no Peter. Me despedi e voltei ao apartamento.
Quase na hora do meu voo. Pego um táxi que se perde pelo meio do caminho, me levando à um bairro pesado, com  boca de fumo. Depois de alguns minutos de desespero, o taxista se encontra e lá estou eu, pronta para voltar ao Brasil. Renovada.

No voo de regresso, conheço uma brasileira chamada Lígia. Ela estava trabalhando em Cusco em uma aldeia indígena. Achei o máximo! Entre conversas de mestrado, Mia Couto, filmes, Projeto Rondon (Lígia também é rondonista), chegamos em Guarulhos. Eu tinha uma hora para pegar minha bagagem e voar para Curitiba. Ao despachar a mala, a moça do guichê fala: ‘- Pensei que fosse a Monica Iozzi’. (hahahahaha ai gentenn, estava começando a pensar que sou a Monica Iozzi mesmo).

***

Nada acontece por acaso, já dizia alguém...

2015. Ano de perdas, sofrimento, dor e superação. Você pensa que está na merda, no fundo do poço... Que somente coisas ruins acontecem com você, uma atrás da outra... É ai o momento que surge uma força superior que coloca pessoas em seu caminho para mostrar que a vida vale muito à pena. Pessoas que sabem ser luz, alimento e fé. A estas pessoas, amor, oração e gratidão.

"O essencial é invisível aos olhos".

Khanimambo!































quarta-feira, 9 de julho de 2014

ARGENTINA - WORLD CUP (02/07/2014 - 07/07/2014)

Período de Copa. Dizem que brasileiros são fanáticos por futebol, é porque desconhecem o fanatismo argentino.

Meu irmão está fazendo intercâmbio em Tandil – Argentina. Como estamos em férias, fomos encontrá-lo em Buenos Aires. Era jogo das quartas de final, valendo vaga para semifinal: Brasil x Colômbia.

Queríamos assistir ao jogo em algum lugar público. Andando pelas ruas, uma garota grita da janela de um prédio: ‘Goool!!! Brasil, Brasil!’. Aquilo soava como um: ‘CHUPAAAA, ARGENTINOS!!!’. A seleção brasileira tinha acabado de fazer 1 x 0.

Encontramos um barzinho na Av. Corrientes. Minha irmã vestida com a camisa da seleção brasileira e eu com a bandeira. Ao entrarmos, os olhares eram voltados à nós. Meu irmão já havia contado que sofria xenofobia. Reparei que na mesa central havia uma família colombiana. Aliás, os argentinos, naquele dia, eram colombianos desde que nasceram.

Como o Brasil já havia feito 1 x 0, os torcedores estavam apreensivos. Lá pelas tantas, a seleção colombiana faz um gol. Jogo empatado. A gritaria, euforia, comemoração tomava conta do lugar. Todos, repito, todos olharam para nós com um olhar que dava medo. Pensei, ‘só falta essa porra perder agora!’. Gol anulado. Trágico e cômico ao mesmo tempo. Rimos tanto que o bar ficou em silêncio por alguns minutos, até que então, David Luiz bate uma falta e faz um golaço!!! Brasil 2 x 0 Colômbia.

Neste instante, um argentino começa a torcer junto conosco. Gritava ‘Brasil! Brasil!’. Era evidente que ele estava bêbado, mas isto era apenas um detalhe. David sai do bar, e depois de alguns instantes, volta com uma caneta. Pega um guardanapo, anota seu número de celular. Sai gritando novamente ‘Brasil, Brasil, Brasil!’. 

Logo mais, Neymar quebra uma vértebra lombar. Júlio Cesar comete um pênalti. Fez? Agora defenda! Não defendeu. Brasil 2 x 1 Colômbia. E aquele jogo nunca mais terminou. Saímos do bar minutos antes dele acabar.

Nas ruas, os argentinos cantavam:  'Brasil, decime qué se siente tener en casa a tu papá'. Nos jornais impressos e propagandas televisivas, deboche dos brasileiros devido ao jogo que se definiu nos pênaltis contra o Chile. Na comemoração da vitória da Argentina sobre a Bélgica, um Cristo Redentor inflável. Essa rivalidade torna-se tosca. Mas apesar de tudo, embora o Brasil tenha perdido de 7 x 1 para a Alemanha na semifinal (08/07), assistir a vitória da seleção brasileira em território argentino é uma experiência única e hilariante.

'Argentina, decime qué se siente 7 copas sin ganar'.

O papa é argentino, mas Deus é brasileiro!

Saldo final da viagem:
- Matar a saudade do irmão mais novo;
- Vitória brasileira em território argentino;
- Hospedagem em frente ao Obelisco;
- Lombar do Neymar fraturada e a minha detonada;
- Menos uma codorna no Uruguai.



















quinta-feira, 26 de setembro de 2013

PORTUGAL (03/09/2013 - 12/09/2013)



Antes de escrever sobre mais essa viagem, recordo-me que há um ano, estava em Maputo (Moçambique) desenvolvendo um trabalho voluntário com crianças carentes da Cidade da Matola onde conheci dois portugueses – Joana e Tiago.

Link do Blog de Moçambique: http://addiecarbonar.blogspot.com.br/

E foi ai que tudo começou...

Sou mestranda pela Universidade Estadual de Ponta Grossa. Assim, quando soube da oportunidade de estar apresentando meu trabalho em Lisboa (Portugal), não pensei duas vezes: ‘- Joana, estou chegando!’.


Lembro-me da despedida no aeroporto de Maputo, dia 04 de setembro de 2012. Falo para Joana e Tiago ‘- Até daqui a um ano!’. E um ano se passou...


Minha aventura começou dia 03 de setembro de 2013, no Aeroporto Afonso Pena em Curitiba. Um dia nublado. Uma mistura de ansiedade e medo tomava conta. Mais uma vez, era somente eu e Deus atravessando o Oceano Atlântico. Não! Dessa vez sem lágrimas de despedida. Talvez isto esteja se tornando tão comum em minha vida porque percebo cada vez mais que fui criada para o mundo... Não tentem me parar... 


Durante as trocas de aeronaves, conheci pessoas que iriam para todos os lugares do mundo... Itália, Suécia, Irlanda e... Portugal! Ser viajante é conhecer além de lugares, histórias de desconhecidos que fazem você, ao mesmo tempo, viajar em suas vidas. 


Saio do Aeroporto de Guarulhos (voo KL 792, poltrona 42!!!) com destino à Amsterdã, Holanda. Troco de aeronave novamente. Tenho 4 horas até o próximo voo para Lisboa. 4 horas parecem ser muitas, mas quando se está com imensa vontade de sair do aeroporto e conhecer a cidade, isso se torna um risco. Tinha internet liberada por 20 minutos. Bateria do celular descarregada. Fiquei presa por um cabo de carregador em um banheiro. Meu irmão me acompanhava pela tela do computador. Ele sabia cada passo que eu dava! Ah, essa tecnologia! Agora, somente me restava esperar para encontrar o casal de Tugas mais lindo!


Chego ao Aeroporto de Lisboa (04/09/2013). Vou em direção às setas até encontrar a saída. Meu olho corre por todos os lados tentando encontrar Joana e Tiago. Exatamente um ano após nos despedirmos em Maputo. UM ANO! Ouço uma voz ao longe ‘- Ade!’. Joana sai em disparada me abraçar carregada com um sorriso no rosto. Eu corro em sua direção. Largo meu carrinho com minha mala vermelha e vou de braços abertos até ela. O que foi aquele abraço?! Um conjunto de saudade, de felicidade e de momentos. Logo após, aparece Tiago. Os três mosqueteiros se reencontrando novamente onde um dia se despediram: em um aeroporto. Saímos. Porém, antes, dou à Joana o presente prometido: uma corrente que usava como proteção em Moçambique. 


À medida que vamos em direção à casa do Tiago, eu era ‘engolida’ por Lisboa! Que cidade linda! No rádio tocava um CD com as músicas ouvidas em Moçambique propositalmente. Presente do Sohel, um amigo moçambicano.


- Dias do Evento (05, 06 e 07 de setembro)


O evento que participei foi ‘II European Geographies of Sexualities Conference’. Conheci muitas pessoas que trabalham com sexualidade. Minha apresentação foi no último dia do evento. Meu inglês ‘meia boca’ me deixava insegura. Meu orientador, professor Marcio Ornat, me segura e diz: ‘- Se você está aqui, é porque existe alguma razão. Tudo está conectado, Adelaine. Você teve que ir para o Projeto Rondon (onde Biologia – minha graduação- não estava nem no edital) conhecer a Tamires... Ir para Moçambique, conhecer Joana e Tiago. Voltar. Fazer a seleção do mestrado em Geografia. E ter a oportunidade de participar desse evento justamente em Lisboa. TUDO ESTÁ CONECTADO! Respirei fundo, apresentei. O sentimento de dever cumprido estava presente.


Com o trabalho apresentado, o que restava era... Conhecer Portugal!!!


No mesmo dia, Tiago passa me pegar e vamos em direção ao centro do país. Nosso próximo destino: Benfeita. Local onde a família do Tiago cresceu e se formou. Antes, passamos por Coimbra e Arganil. Uma festa tradicional estava acontecendo: FICABEIRA - Feira Industrial, Comercial e Agrícola da Beira Serra, com show de Paulo Gonzo (um ‘Roberto Carlos’ português). Tomei uma bebida alcoólica com receita secreta - Serralheira. Uma menina passa por mim e derruba meu copo. O que eu fiz? Comprei outra hehehe. Eu e Joana passeamos pelo meio das barraquinhas quando vejo um objeto muito legal e digo ‘- Que Tesão!’. A expressão saiu tão alta e natural como se estivesse falando ‘que massa, que gira, que tudo!’. Joana me olha assustada e diz ‘- Adezinha, não sejas louca de falar isto alto’. Rimos muito, pois notei que alguns homens haviam escutado. Quase falei: ‘- Sou brasileira, porrannnn!’. Falando em ser brasileira, você só se sente pertencente a algum lugar quando você sai dele. Meu sentimento de patriotismo se firma cada vez mais.


Chegando em Benfeita, encontramos alguns amigos do gordo e do Pedro – amigo que viajou junto... No domingo, dia 08 de setembro de 2013, acordamos cedo, fizemos uma trilha na Fraga da Pena em meio a cachoeiras e ar puro. Depois, fomos almoçar na festa em honra a Nossa Senhora das Necessidades. 

No almoço, conheci um velhinho conversador. Tagarelamos o almoço inteiro. Me sentia tão bem recebida naquele local. Ganho de sua filha um tsuru (um passarinho de origami). Tenho direito a um pedido! Mas, não tenho o que pedir. Então, agradeço pela oportunidade de estar ali compartilhando momentos maravilhosos e me tornando a pessoa que desejei. 

Saindo do almoço, fomos em direção à Fátima. Antes, peço a Pedro para retirar uma rosa branca do jardim de sua avó. Tinha uma promessa a se pagar no Santuário de Fátima. E lá fomos nós, rumo ao lugar mais iluminado e cheio de paz que já conheci. 







- FÁTIMA 


Quando olho as horas, me assusto! Já passam das 14h00min. E se não der tempo? Pensei. Tinham tantas coisas para conhecer, lugares a explorar. E, Fátima era um dos lugares impossíveis de não se ir. A expectativa era enorme!!! Um lugar com uma energia incomum que tanto ouvi falar de pessoas que já visitaram.


Não acreditei na hora em que estacionamos o carro. Andamos uns 500 metros até avistar o Santuário. Que lugar era aquele??? Que paz! Me senti o ser humano mais leve do mundo! Fátima tem algo de especial. Ouço ao longe os sinos badalando e pessoas andando de um lado para outro. Uma velhinha anda ajoelhada, certamente pagando alguma graça recebida. O vento batia tão forte que tinha medo das pétalas de minha rosa branca se separassem. Protejo-a como se fosse a única rosa que existia. ‘Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante’ (O pequeno príncipe). Na verdade, não era a rosa em si, mas o que ela significava. 


Cada passo que dávamos, o Santuário se erguia. O céu azul, sem nenhuma nuvem, parecia ser pintado por Deus. Vamos em direção à capela onde está a imagem de Nossa Senhora de Fátima. Deixo minha rosa em sinal de agradecimento. Tiago conta a história da bala incrustada na coroa, relembrando o atentado ao Papa João Paulo II. 


Já, dentro do Santuário, sento e oro. Um encontro comigo mesma. Em uma das lojas, uma medalhinha com a imagem e, no seu verso, a terra de Fátima. Era a mesma medalha que minha mãe trouxe quando visitara o local em 2000. Agora, era a hora de acender as velas. Quando termino, vejo que Joana, Tiago e Pedro estão em busca de velas para também acender. Nessa hora, só observo o trio. Era a fé surgindo!

Nossa visita a Fátima chega ao fim... Ouço novamente os sinos badalando como se fosse uma canção de despedida. 










Chegamos até o carro e uma surpresa! Óleo vazando...

Paramos por quase duas horas... O fim da tarde chegando... Íamos até Batalha e Óbidos. No entanto, Óbidos ficou para outro dia. Em Batalha, encontra-se o Mosteiro Santa Maria da Vitória. Considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO, foi mandado edificar em 1386 por D. João I como agradecimento à Virgem Maria pela vitória na Batalha de Aljubarrota. 

Perambulando em torno da gigante construção, Joana chega e diz ‘- Não imaginas o que esqueceram!’. Muitas coisas passam por minha mente... O que seria para ela dar tanta risada? Esqueceram uma dentadura com três dentes faltando. Gritei ‘- Que nojooooo!’ Arrghhhh. Hahahaha
Hora de voltar à Lisboa. O cansaço me venceu. Dormi! Acordo assustada com um grito da Joana ao ler ‘Caniço’ em uma placa! Caniço era o nome do bairro onde trabalhávamos em Moçambique - Polana Caniço! Coincidência? Não sei. Só sei que pequenos detalhes faziam nos lembrar da melhor experiência já vivida! 

Chegando em Lisboa, faço minha mala e vou para casa de Joana. Uma tristeza bateu por alguns segundos, pois já me sentia irmã de Diogo e filha da Graça – Mãe e irmão de Tiago. Conversas regadas por queijo Serra da Estrela e Vinho do Porto.

Na casa de Joana, muitas risadas. Sofia - irmã de Joana que morou um tempo no Rio de Janeiro no período em que estávamos em Maputo, se junta a nós. Nesta noite, conversamos sobre a vida... 







- Segunda-Feira, 09 de setembro de 2013.
Roteiro: Sintra e Cascais.

Acordaaaaa!!! O dia começa agitado! Na cozinha, conheço Isabel, empregada de Joana. Ela faz de almoço uma saladinha. Vamos buscar Rodrigo, meu primo que também participou do evento.
Em Sintra, vamos até Quinta da Regaleira. Depois de visitar quase tudo, só faltava-nos o tal do poço que tanto a Joana falava. Mas onde ficava? Não tínhamos um mapa. Assim, Joana pergunta para um funcionário: ‘- Onde ficas o poço?’. Ele, com toda atenção, pergunta do mapa. Mas não tínhamos o mapa! Não sabíamos que precisava pagar para entrar!!! Neste instante, nossos olhares se cruzaram e o pensamento ‘Ihhh, fo***’ foi inevitável. Clandestinos!!!

Conseguimos um mapa com uma turista e encontramos o tal do poço. Valeu muito a pena! E antes que perguntem se pagamos? Bem, nossa tática de sair e passar pela portaria foi um tanto engraçada. 

Antes de ir em direção à Cascais, passamos pelo Palácio da Pena e pela Piriquita (local onde se vende o melhor travesseiro e queijadinha de Sintra). É claro que fizemos piadinhas com o nome.  No meio do caminho, fomos até o Cabo da Roca, conhecido por ser o ponto mais próximo dos Estados Unidos. Pedimos para uma turista bater uma foto. Digam: ‘Say Hello for the Obama!’. Cabo da Roca é simplesmente lindo. Camões diz o seguinte: ‘Onde a terra se acaba e o mar começa!’.

Em Cascais, conhecemos a Boca do Inferno. As ondas fortes batem no paredão e formam gigantes crateras. Também, paramos para tomar um gelado (sorvete) na melhor sorveteria do mundo: Gelataria Santini.

Fomos então, encontrar minha tia para tomarmos um café. Fazia anos que não a via. Fiquei feliz por encontrá-la novamente. 

De volta a Lisboa, fomos jantar na Baixa com o pai de Joana, seu Rui. Conhecemos um pouco de Lisboa noturna. Que dia perfeito!



















- Terça, 10 de setembro de 2013.
Roteiro: Praia Arrábida e Belém em fotos!

























- Quarta, 11 de setembro de 2013.
Roteiro: Lisboa de cabo a rabo e Óbidos.

- Duas coisas marcaram neste dia. E não foi nem conhecer Lisboa ou Óbidos. Uma delas foi conhecer a avó da Joana, Dona Adelaide. Neste momento, a lembrança do dia que conheci o casal de portugueses em Maputo vem à tona. Uma menina arrumando a mala em um dos quartos de um apartamento no 8° andar, sem elevador. 163 sofridos degraus. Digo: ‘Olá, meu nome é Adelaine’, ‘- Quase igual o nome da minha avó. O meu é Joana!’, respondeu ela. ‘-Heyy, o nome da minha avó também é Joanna, mas com dois N’s!’. Finalmente, conheci a tal vovó Adelaide.

A outra foi no momento em que arrumava minha mala para voltar para o Brasil. Dona Isabel entra no quarto e diz: ‘-Queria te dar um presente, mas não tenho nada’. Então, ela tirou os próprios brincos e me deu. Aquele gesto foi o melhor presente de todos! Eu não tinha palavras para expressar meu sentimento de gratidão por aquela mulher. Ela, que fazia nosso pequeno-almoço, nossas saladas, que lavou minha roupa. Que também me tratou como filha, assim como a Dona Graça. 



Serei imensamente grata a todos que conheci nesta viagem!!! Os portugueses que me trataram tão bem que não tive nem vontade de voltar embora. Como também, àqueles que encontrei nos aeroportos, ouvindo suas histórias e falando as minhas (em particular, Anamaria Borges que conheci no voo Rio de Janeiro- Curitiba). Agradeço também a minha família, amigos, professores, GETE/UEPG.

Não fiz este blog esperando que lessem minhas aventuras até o fim.
Fiz para mim!

Para que daqui a alguns anos, possa voltar e relembrar de tudo o que vivi e conheci.

Tá, agora eu chorei!
Khanimambo!