Antes de escrever sobre mais essa
viagem, recordo-me que há um ano, estava em Maputo (Moçambique) desenvolvendo
um trabalho voluntário com crianças carentes da Cidade da Matola onde conheci
dois portugueses – Joana e Tiago.
Link do Blog de Moçambique: http://addiecarbonar.blogspot.com.br/
E foi ai que tudo começou...
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E foi ai que tudo começou...
Sou mestranda pela Universidade
Estadual de Ponta Grossa. Assim, quando soube da oportunidade de estar
apresentando meu trabalho em Lisboa (Portugal), não pensei duas vezes: ‘-
Joana, estou chegando!’.
Lembro-me da despedida no
aeroporto de Maputo, dia 04 de setembro de 2012. Falo para Joana e Tiago ‘- Até
daqui a um ano!’. E um ano se passou...
Minha aventura começou dia 03 de
setembro de 2013, no Aeroporto Afonso Pena em Curitiba. Um dia nublado. Uma
mistura de ansiedade e medo tomava conta. Mais uma vez, era somente eu e Deus
atravessando o Oceano Atlântico. Não! Dessa vez sem lágrimas de despedida.
Talvez isto esteja se tornando tão comum em minha vida porque percebo cada vez
mais que fui criada para o mundo... Não tentem me parar...
Durante as trocas de aeronaves,
conheci pessoas que iriam para todos os lugares do mundo... Itália, Suécia,
Irlanda e... Portugal! Ser viajante é conhecer além de lugares, histórias de
desconhecidos que fazem você, ao mesmo tempo, viajar em suas vidas.
Saio do Aeroporto de Guarulhos
(voo KL 792, poltrona 42!!!) com destino à Amsterdã, Holanda. Troco de aeronave
novamente. Tenho 4 horas até o próximo voo para Lisboa. 4 horas parecem ser
muitas, mas quando se está com imensa vontade de sair do aeroporto e conhecer a
cidade, isso se torna um risco. Tinha internet liberada por 20 minutos. Bateria
do celular descarregada. Fiquei presa por um cabo de carregador em um banheiro.
Meu irmão me acompanhava pela tela do computador. Ele sabia cada passo que eu
dava! Ah, essa tecnologia! Agora, somente me restava esperar para encontrar o
casal de Tugas mais lindo!
Chego ao Aeroporto de Lisboa
(04/09/2013). Vou em direção às setas até encontrar a saída. Meu olho corre por
todos os lados tentando encontrar Joana e Tiago. Exatamente um ano após nos
despedirmos em Maputo. UM ANO! Ouço uma voz ao longe ‘- Ade!’. Joana sai em
disparada me abraçar carregada com um sorriso no rosto. Eu corro em sua
direção. Largo meu carrinho com minha mala vermelha e vou de braços abertos até
ela. O que foi aquele abraço?! Um conjunto de saudade, de felicidade e de
momentos. Logo após, aparece Tiago. Os três mosqueteiros se reencontrando
novamente onde um dia se despediram: em um aeroporto. Saímos. Porém, antes, dou
à Joana o presente prometido: uma corrente que usava como proteção em
Moçambique.
À medida que vamos em direção à
casa do Tiago, eu era ‘engolida’ por Lisboa! Que cidade linda! No rádio tocava
um CD com as músicas ouvidas em Moçambique propositalmente. Presente do Sohel,
um amigo moçambicano.
- Dias do Evento (05, 06 e 07 de
setembro)
O evento que participei foi ‘II
European Geographies of Sexualities Conference’. Conheci muitas
pessoas que trabalham com sexualidade. Minha apresentação foi no último dia do
evento. Meu inglês ‘meia boca’ me deixava insegura. Meu orientador, professor Marcio
Ornat, me segura e diz: ‘- Se você está aqui, é porque existe alguma razão.
Tudo está conectado, Adelaine. Você teve que ir para o Projeto Rondon (onde
Biologia – minha graduação- não estava nem no edital) conhecer a Tamires... Ir
para Moçambique, conhecer Joana e Tiago. Voltar. Fazer a seleção do mestrado em
Geografia. E ter a oportunidade de participar desse evento justamente em
Lisboa. TUDO ESTÁ CONECTADO! Respirei fundo, apresentei. O sentimento de dever
cumprido estava presente.
Com o trabalho apresentado, o que
restava era... Conhecer Portugal!!!
No mesmo dia, Tiago passa me
pegar e vamos em direção ao centro do país. Nosso próximo destino: Benfeita.
Local onde a família do Tiago cresceu e se formou. Antes, passamos por Coimbra
e Arganil. Uma festa tradicional estava acontecendo: FICABEIRA
- Feira Industrial, Comercial e Agrícola da Beira Serra, com show de Paulo
Gonzo (um ‘Roberto Carlos’ português). Tomei uma bebida alcoólica com receita
secreta - Serralheira. Uma menina passa por mim e derruba meu copo. O que eu
fiz? Comprei outra hehehe. Eu e Joana passeamos pelo meio das barraquinhas
quando vejo um objeto muito legal e digo ‘- Que Tesão!’. A expressão saiu tão
alta e natural como se estivesse falando ‘que massa, que gira, que tudo!’. Joana
me olha assustada e diz ‘- Adezinha, não sejas louca de falar isto alto’. Rimos
muito, pois notei que alguns homens haviam escutado. Quase falei: ‘- Sou
brasileira, porrannnn!’. Falando em ser brasileira, você só se sente
pertencente a algum lugar quando você sai dele. Meu sentimento de patriotismo
se firma cada vez mais.
Chegando em
Benfeita, encontramos alguns amigos do gordo e do Pedro – amigo que viajou
junto... No domingo, dia 08 de setembro de 2013, acordamos cedo, fizemos uma
trilha na Fraga da Pena em meio a cachoeiras e ar puro. Depois, fomos almoçar
na festa em honra a Nossa Senhora das Necessidades.
No almoço,
conheci um velhinho conversador. Tagarelamos o almoço inteiro. Me sentia tão
bem recebida naquele local. Ganho de sua filha um tsuru (um passarinho de
origami). Tenho direito a um pedido! Mas, não tenho o que pedir. Então,
agradeço pela oportunidade de estar ali compartilhando momentos maravilhosos e
me tornando a pessoa que desejei.
- FÁTIMA
Quando olho as
horas, me assusto! Já passam das 14h00min. E se não der tempo? Pensei. Tinham tantas
coisas para conhecer, lugares a explorar. E, Fátima era um dos lugares
impossíveis de não se ir. A expectativa era enorme!!! Um lugar com uma energia
incomum que tanto ouvi falar de pessoas que já visitaram.
Não acreditei na
hora em que estacionamos o carro. Andamos uns 500 metros até avistar o
Santuário. Que lugar era aquele??? Que paz! Me senti o ser humano mais leve do
mundo! Fátima tem algo de especial. Ouço ao longe os sinos badalando e pessoas
andando de um lado para outro. Uma velhinha anda ajoelhada, certamente pagando
alguma graça recebida. O vento batia tão forte que tinha medo das pétalas de
minha rosa branca se separassem. Protejo-a como se fosse a única rosa que existia.
‘Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante’ (O
pequeno príncipe). Na verdade, não era a rosa em si, mas o que ela significava.
Cada passo que dávamos, o
Santuário se erguia. O céu azul, sem nenhuma nuvem, parecia ser pintado por
Deus. Vamos em direção à capela onde está a imagem de Nossa Senhora de Fátima. Deixo
minha rosa em sinal de agradecimento. Tiago conta a história da bala incrustada
na coroa, relembrando o atentado ao Papa João Paulo II.
Já, dentro do Santuário, sento e
oro. Um encontro comigo mesma. Em uma das lojas, uma medalhinha com a imagem e,
no seu verso, a terra de Fátima. Era a mesma medalha que minha mãe trouxe
quando visitara o local em 2000. Agora, era a hora de acender as velas. Quando
termino, vejo que Joana, Tiago e Pedro estão em busca de velas para também
acender. Nessa hora, só observo o trio. Era a fé surgindo!
Chegamos até o carro e uma
surpresa! Óleo vazando...
Paramos por quase duas horas... O
fim da tarde chegando... Íamos até Batalha e Óbidos. No entanto, Óbidos ficou
para outro dia. Em Batalha, encontra-se o Mosteiro Santa Maria da Vitória.
Considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO, foi mandado edificar em 1386 por D.
João I como agradecimento à Virgem Maria pela vitória na Batalha de
Aljubarrota.
Perambulando em torno da gigante
construção, Joana chega e diz ‘- Não imaginas o que esqueceram!’. Muitas coisas
passam por minha mente... O que seria para ela dar tanta risada? Esqueceram uma
dentadura com três dentes faltando. Gritei ‘- Que nojooooo!’ Arrghhhh. Hahahaha
Hora de voltar à Lisboa. O
cansaço me venceu. Dormi! Acordo assustada com um grito da Joana ao ler ‘Caniço’
em uma placa! Caniço era o nome do bairro onde trabalhávamos em Moçambique - Polana
Caniço! Coincidência? Não sei. Só sei que pequenos detalhes faziam nos lembrar
da melhor experiência já vivida!
Chegando em Lisboa, faço minha
mala e vou para casa de Joana. Uma tristeza bateu por alguns segundos, pois já
me sentia irmã de Diogo e filha da Graça – Mãe e irmão de Tiago. Conversas
regadas por queijo Serra da Estrela e Vinho do Porto.
Na casa de Joana, muitas risadas. Sofia - irmã
de Joana que morou um tempo no Rio de Janeiro no período em que estávamos em
Maputo, se junta a nós. Nesta noite, conversamos sobre a vida...
- Segunda-Feira, 09 de setembro
de 2013.
Roteiro: Sintra e Cascais.
Acordaaaaa!!! O dia começa agitado!
Na cozinha, conheço Isabel, empregada de Joana. Ela faz de almoço uma
saladinha. Vamos buscar Rodrigo, meu primo que também participou do evento.
Em Sintra, vamos até Quinta da
Regaleira. Depois de visitar quase tudo, só faltava-nos o tal do poço que tanto
a Joana falava. Mas onde ficava? Não tínhamos um mapa. Assim, Joana pergunta
para um funcionário: ‘- Onde ficas o poço?’. Ele, com toda atenção, pergunta do
mapa. Mas não tínhamos o mapa! Não sabíamos que precisava pagar para entrar!!!
Neste instante, nossos olhares se cruzaram e o pensamento ‘Ihhh, fo***’ foi
inevitável. Clandestinos!!!
Conseguimos um mapa com uma
turista e encontramos o tal do poço. Valeu muito a pena! E antes que perguntem
se pagamos? Bem, nossa tática de sair e passar pela portaria foi um tanto
engraçada.
Antes de ir em direção à Cascais,
passamos pelo Palácio da Pena e pela Piriquita (local onde se vende o melhor
travesseiro e queijadinha de Sintra). É claro que fizemos piadinhas com o nome.
No meio do caminho, fomos até o Cabo da
Roca, conhecido por ser o ponto mais próximo dos Estados Unidos. Pedimos para
uma turista bater uma foto. Digam: ‘Say Hello for the Obama!’. Cabo da Roca é
simplesmente lindo. Camões diz o seguinte: ‘Onde a terra se acaba e o mar
começa!’.
Em Cascais, conhecemos a Boca do Inferno. As ondas fortes batem no
paredão e formam gigantes crateras. Também, paramos para tomar um gelado
(sorvete) na melhor sorveteria do mundo: Gelataria Santini.
Fomos então, encontrar minha tia para tomarmos um café. Fazia anos que
não a via. Fiquei feliz por encontrá-la novamente.
De volta a Lisboa, fomos jantar na Baixa com o pai de Joana, seu Rui. Conhecemos
um pouco de Lisboa noturna. Que dia perfeito!
- Terça, 10 de setembro de 2013.
Roteiro: Praia Arrábida e Belém em fotos!
- Quarta, 11 de setembro de 2013.
Roteiro: Lisboa de cabo a rabo e Óbidos.
- Duas coisas marcaram neste dia. E não foi nem conhecer Lisboa ou
Óbidos. Uma delas foi conhecer a avó da Joana, Dona Adelaide. Neste momento, a
lembrança do dia que conheci o casal de portugueses em Maputo vem à tona. Uma
menina arrumando a mala em um dos quartos de um apartamento no 8° andar, sem
elevador. 163 sofridos degraus. Digo: ‘Olá, meu nome é Adelaine’, ‘- Quase
igual o nome da minha avó. O meu é Joana!’, respondeu ela. ‘-Heyy, o nome da
minha avó também é Joanna, mas com dois N’s!’. Finalmente, conheci a tal vovó
Adelaide.
A outra foi no momento em que arrumava minha mala para voltar para o
Brasil. Dona Isabel entra no quarto e diz: ‘-Queria te dar um presente, mas não
tenho nada’. Então, ela tirou os próprios brincos e me deu. Aquele gesto foi o
melhor presente de todos! Eu não tinha palavras para expressar meu sentimento
de gratidão por aquela mulher. Ela, que fazia nosso pequeno-almoço, nossas
saladas, que lavou minha roupa. Que também me tratou como filha, assim como a
Dona Graça.
Serei imensamente grata a todos que conheci nesta viagem!!! Os
portugueses que me trataram tão bem que não tive nem vontade de voltar embora.
Como também, àqueles que encontrei nos aeroportos, ouvindo suas histórias e
falando as minhas (em particular, Anamaria Borges que conheci no voo Rio de
Janeiro- Curitiba). Agradeço também a minha família, amigos, professores,
GETE/UEPG.
Não fiz este blog esperando que lessem minhas aventuras até o fim.
Fiz para mim!
Para que daqui a alguns anos, possa voltar e relembrar de tudo o que
vivi e conheci.
Tá, agora eu chorei!
Khanimambo!





















